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quinta-feira, 28 de junho de 2012

A Caçada




Quis amar.
Então amou,
beijou, sorriu,
abraçou,
despiram-se,
deitaram-se,
entregou-se às delícias
do amor, do bom da vida.
Beijou, sorriu,
carícias, abraços,
mãos, pernas, corpos
e lábios...
a dor ardente
do tesão de ser amado.
Quis amar,
então amou
e descobriu que o amor
é a pior das armadilhas;
transforma o melhor caçador
em mera caça abatida.

(Fernanda Abreu)

sábado, 26 de maio de 2012

Com Sangue nos olhos



É um trem que vai
partindo sobre os trilhos
em direção ao precipício
mas que não cái
porque uma curva brusca
o desvia disto.
E o que vai no trem
vai bem longe
de tudo aquilo.

É como um carro
que atravessa
segundos antes do sinal fechar,
sem ter que ter pressa,
na hora certa,
sem se atrasar.

É um semiDeus...
 que de tão semi
tornou-se nada
É um homem
no campo de batalha
pedindo pra guerra
não acabar.

E os olhos que sangram?
De tão vermelhos, sangram
o choro, a insônia, o ar.
E o teu desespero?
De repente não se sabe
o que é verdadeiro,
o que é metade,
o que é inteiro...
De repente
não dá mais pra saber
em quem confiar,
não dá mais pra confiar.

Doidos varridos...
Mas a loucura não é isso!
Meu bem,
os loucos sabem amar.

Por : Fernanda Abreu 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Para quando falarmos das guerras - Alipio Freire



Quando falarmos das guerras
sejamos contidos

A simples emoção só ampliará os conflitos. 

Quando falarmos das guerras
baixemos o tom

milhões de filhos de trabalhadores e do povo morrem nas trincheiras
por causas que não são suas.
  
Quando falarmos das guerras
falemos com recato

Para não acordarmos os meninos que dormem
nas frentes de batalha.

Respeitemos seu último sono.

Quando falarmos das guerras
falemos com todo respeito

Para transformamos o desespero de mães, viúvas e órfãos
em gritos de paz.

Quando falarmos das guerras
não esqueçamos que o inimigo é a guerra

Os nossos únicos companheiros
são os povos.

Quando falarmos das guerras
falemos da igualdade entre os homens

Comecemos por apagar as fronteiras nacionais.

Quando falarmos das guerras
Lembremos que o inimigo alimenta os dois lados

É o capital.

Quando falarmos das guerras
Lembremos que só há uma trincheira legítima

A de nos negarmos a combater.

Quando falarmos das guerras
saquemos nossa melhor arma

A bandeira da paz e do socialismo.

Falar das guerras é o avesso
de falarmos da Revolução

Embora nossos companheiros e palavras-de-ordem
sejam sempre os mesmos.

depois de uma noitada qualquer...




As ruas poderiam ser retas.
Os caminhos poderiam ser retos.
Poderíamos viver sem as curvas....
mas ai é que está a graça :
É DIVERTIDO COMPLICAR 
OS PASSOS DOS BÊBADOS.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

As sem-razões do amor



Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.

Amor é dado de graça
É semeado no vento,
Na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
Não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
E da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.
(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Querido diário (tópicos para uma semana utópica)


Segunda-feira:
Criar a partir do feio
Enfeitar o feio
Até o feio seduzir o belo

Terça-feira:
Evitar mentiras meigas
Enfrentar taras obscuras
Amar de pau duro

Quarta-feira:
Magia acima de tudo
Drogas barbitúricos
I Ching
Seitas macabras
O irracional como aceitação do universo

Quinta-feira:
Olhar o mundo
Com a coragem do cego
Ler da tua boca as palavras
Com a atenção do surdo
Falar com os olhos e as mãos
Como fazem os mudos

Sexta-feira:
Assunto de família:
Melhor fazer as malas
E procurar uma nova
(Só as mães são felizes)

Sábado:
Não adianta desperdiçar sofrimento
Por quem não merece
É como escrever poemas no papel higiênico
E limpar o cu
Com os sentimentos mais nobres

Domingo:
Não pisar em falso
Nem nos formigueiros de domingo
Amar ensina a não ser só
Só fogos de São João no céu sem lua
Mas reparar e não pisar em falso
Nem nas moitas do metrô nos muros
E esquinas sacanas comendo a rua
Porque amar ensina a ser só
Lamente longe por favor
Chore sem fazer barulho


(Cazuza)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Possua-me


Beija-me
Foda-me
Coma-me
Rasga-me
Meta-me “para dentro”
Dentro de você
Sorria-me
Morda-me
Engula-me “para dentro”,
Dentro de você
Bata-me
Arranhe-me
Diga-me palavrões
Palavras sacanas que me dêem prazer
Goza-me
Termine e beije-me para eu acreditar na farsa bonita que é o amor.


(Antonio Carlos Altheman )

Lúgubre Amor




Um corpo fétido sob a cama...
Cadáver que apodrece neste leito
Outrora fonte de eterno amor
E agora, somente, a morada
Fria e solitária de uma imensa escuridão.
O amor é só um sonho pérfido
Nascido da alma de um louco,
Cego, insensato e caduco.

Ouço ruídos vindos das sombras...
É um dilúvio de sons sob meus ouvidos.
Sinto que se faz presente a tua ausência
Do meu acordar ao meu dormir.
Amor... é só mais um nome,
Como tantos outros que existem por ai!
Assombrosas letras, doce armadilha.
Eu tenho é medo do amor!
Até mais medo do quê da morte
Ou da vida.
Teu corpo inteiro me exala amor.
Sinto o amor com meus 6 sentidos.
Mas meu ódio transforma em dor
Esse infinito amor que eu sinto.
Saudade dos teus olhos mentirosos,
Do teu falso sorriso,
Do teu peito frio e indiferente
Ao calor sem fim que eu sinto.
Sinto tua falta...
E um cadáver vejo se desfazer,
Se decompõe perante a mim...
Vejo meu coração apodrecer.
Agora é só frio,
As noites são só moradas
De sussurros vadios,
Falsas paixões,
Imenso nada...
Agora, em ti, só vejo ódio
E falsidade...
Olho em nós e percebo
Aquele imenso amor
Sem fim
Era vaidade e mentira.
O preço pra tantos pecados
Às vezes é alto demais...
A luz se apaga.
Um fogo imenso se acende.
E o cadáver apodrecido
É servido como o mais luxuoso banquete.
O ciclo se repete e
-mais uma vez-
A morte alimenta a vida.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

É como sempre digo...


A loucura é minha arma.
Não dispare o gatilho!
Tanta gente há mundo afora
e solidão nos edfícios.
Não corra, não se mate...
Há muito chão pelo caminho.
Precipícios pela estrada...
mais um passo pra voar fora da razão.
Estou a beira da loucura,
não me dê um empurrão!
Qual seria a sensação
de estar solto no ar?
Imagine o chão faltar
e você começar a cair...
Feche os olhos e sinta a queda,
se imagine então voando
e depois seu corpo inteiro
se espatifando no chão.
Minha arma é a loucura.
Não me faça disparar!
Essa lucidez não é minha,
eu minto pra suportar
a verdade do que sou,
do que me apavora.
Tenho medo de mim mesmo
e não tem como fugir.
Minha alma é a loucura.
Não me faça enlouquecer!
Me ensinaram que o rosto
é feito para pôr máscaras,
desde então o mundo
é um imenso teatro
onde a cada novo dia
eu sou um novo personagem.
Essa vida não é minha.
Não me faça te mostrar
tudo que me apavora
e eu tento ignorar.
Eu nasci para a estrada.
Eu nasci para a loucura.
Filha de uma pátria drogada,
nação podre e corrupta.
A loucura é minha amada,
mas casei com a lucidez
já que tenho que manter acesa
a chama da 'aparência'.
Mas um dia ainda faço
o que eu quero que aconteca.
Não vou perder minha vida
acumulando dinheiro.
O mundo não seria tão grande
pra a gente ter que ficar parado
olhando sempre o mesmo céu,
andando sempre os mesmos passos.
É preciso ganhar estrada,
ir em frente, ir à luta
a cada trecho de caminhada
uma nova loucura.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Não roube minha solidão...



Não roube minha solidão!
Preciso e tenho
o direito de ficar sozinha
com minhas dores,
minhas mágoas,
minhas angústias,
minhas lembranças.
Me deixe só agora.
Se precisar de companhia
eu mesma sei gritar
e chamar por alguém...
Mas agora eu preciso estar só.
Só eu e meus cigarros.
Só eu e muitas doses de álcool.
Sem mais nada a fazer,
Sem mais nada a explicar
pra ninguém.
Sem ninguém...
Não roube minha solidão!
Ela é o pouco que ainda me resta
da liberdade que eu queria ter.
Me deixe morrer de câncer.
Me deixe estragar meu fígado.
Me deixe provar todos os venenos
tanto quanto eu puder aguentar.
As multidões roubam as almas dos homens.
E eu ainda quero ter um pouco mais esta alma
surrada e imunda que,
pelo que me disseram,
devo chamar de minha.
Não roube minha solidão!
Ou te queimo de cigarro,
te grito, te bato, te esfolo,
TE MATO !
Não roube minha solidão
porque você não iria aturar
sustentá-la e alimentá-la
como todos os dias eu tenho que fazer.
NÃO ROUBE MINHA SOLIDÃO !
Ela é apenas minha.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sol... e chuva...




Gosto desses dias molhados, de chuva miúda, de chuva fina
chuva boa,
de névoa, de garoa,
em que a gente não sente a obrigação de ser feliz,
e fica em si mesmo, à toa...
Basta a gente ficar onde está, nada mais, é tudo que se quer,
vendo a chuva cair, a chuva caindo,
ficar sentado, acomodado, num lugar qualquer
ouvindo o rumor da chuva, ouvindo...
ouvindo...
Dias que não pedem nada, que não exigem nada, não icomodam,
em que a gente fica em casa, sem nescessidade
de companhia, de ter alguém,
basta essa sensação que agora é minha...
Oh, a paz, essa felicidade impessoal, perfeita
que consegue ser feliz
sozinha...
( Como doem certos dias de sol, de tanta alegria! )
Dias exigentes que gritam por felicidade, que reclamam vida e emoção
e que encontram às vezes a gente tão só
no meio de tanta gente,
tão só e desprevinido
sem saber o que fazer - meu Deus ! - do coração!
Dias de sol que derrubam a gente,
que maltratam a gente, passam por cima,
da gente
sem piedade,
tontos, deslumbrados,
e se vão a cantar uma felicidade
por todos os lados,
uma felicidade
de bola de cristal, inexistente,
sem ver que ficamos no chão, como indigentes
abandonados...
Ah! Gosto desses dias assim, de olhos embaciados, cinzentos,
de chuvinha mansa, de chuvinha boa,
Que não pertubam o coração
que descansam a vista;
qu, no máximo, esperam que a gente se sinta bem,
e nos deixam em paz, sem nada, sem ninguém,
- só isto!
Nesses dias, humilde e só, um pouco egoísta
talvez,
- EXISTO ...

( J. G. de Araújo Jorge )



-

' Eu tive um amor
mas foi a dor que me ensinou a ser quem sou. '
(Canto dos Malditos na terra do nunca)


domingo, 22 de agosto de 2010

Cansaço



' Estou cansada de fechar os olhos e não dormir, tendo que fugir durante toda a noite de minha própria alma, dos meus sonhos, dos meus medos, do meu ódio de mim mesma. Estou cansada de abrir os olhos e ter que encarar a realidade tão fria, tão  nua, tão cruel e manchadaa de dor. Estou  cansada de olhar  no espelho e me ver abatida, confusa, insegura e incapaz de mudar de atitude e sair desse permanente estado de inércia no qual eu mergulhei.
Estou cansada! Só estou cansada de tudo, de nada, dessa enorme impaciência que permanece aqui sugerindo as mais cruéis loucuras pra se realizar. Estou cansada de responder e ninguém entender, estou cansada de tentar explicar. Não importa quantas vezes eu fale, nem mesmo nada do que eu faça poderá fazer com que encherguem ou escutem tudo o que é importante saber.
Não importa mais, estou transbordando tédio, impaciência, cansaço e stress... Descobri que a vida, na verdade, não vale um níquel! '
( Fernanda Abreu )




• O que há •

O que há em mim é sobretudo cansaço-
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada :
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas-
Essas e o que falta nelas esternamente-;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada-
Três tipos de idealistas, e eu nehum deles :
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossívelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
íssimno, issimo, íssimo,
Cansaço ...

( Álvaro de Campos )

segunda-feira, 7 de junho de 2010

••• FRONT •••

Chuva.
mormaço, passo.
Estranho é o canto
daquela criança
perambulando sozinha
nas ruas imperialistas,
entre o fogo cruzado
do assombro do povo
e dos preços que sobem
na calada da noite dos supermercados.
Lama vermelha
escorre pelo chão.
Dentro dos barracos
batem os corações
da dor,
do cansaço,
da fome,
do medo,
do homem-poder.
As ditaduras continuam.
(Roraima Alves da Costa)



quinta-feira, 13 de maio de 2010

Mães são a necessidade da invenção

http://diasiguais.blogs.sapo.pt/arquivo/imagemmae01.jpg


Pessoas se afastam por tão pouco.
As fez por bobagem por orgulho.
De pedir desculpas, dizer eu errei....
Nossa vida e tão rápida para perder com bobagem.
Que um dia vamos ver que estamos velhos
e perdoamos muitas coisa por não falar me desculpe.
Então vamos fazer as coisas sem medo de errar.
Pq tem uma palavra que falada sinceramente muda tudo.
Desculpa se não te amei o quanto era necessário
Se falei o que não era preciso.
Desculpa se em vez de sim disse não e feri teu coração
Desculpa se achei que era muito pra você e te feri sem pensar
Desculpa se pensei que tudo era mais importante que eu e vc!!!!!
Desculpa se lembrei do mundo e esqueci de vc!!!!!!!
Um pedido sincero de desculpa basta para se perdoar
O segredo guardado basta para se confiar
Uma lágrima basta para aliviar a dor
Um sorriso discreto basta para conseguir um outro sorrir
A música basta quando fala por você
Um olhar basta quando não existem palavras
Observar o céu basta para inspirar a saudade
O forte abraço basta para sentir segurança
A conquista de um sonho basta para se enfrentar a realidade
Sentir a brisa basta para acreditar no que não se pode ver.
Te ver feliz basta...
Basta ser feliz,
não importa como.

TE AMO MÃE !!!

domingo, 29 de novembro de 2009

○○○ Eu tive um sonho ○○○

http://rsurgente.zip.net/images/pesadelo2.JPG
Ontem eu tive um sonho!
Eu tive um sonho
e o mundo quase desmoronou
Mas não era algo medonho,
não era dor, não era triste...
Ontem sonhei com teus olhos,
teu corpo sobre o meu
e era uma luz incrivel
que envolvia meu corpo e o teu.
Ontem eu sonhei a vida toda
e o sonho já parecia real
aquilo que pra mim era sonho
pra você era só mais uma fantasia
Ontem eu tive um sonho
e depois um pesadelo,
acordei suando frio
e tive que suportar o medo
sem você aqui pra me dar as mãos,
sem tua voz pra me acalmar,
sem meus cigarros,
sem um mísero copo de álcool,
sem coragem, sem proteção.
Ontem eu tive um sonho,
você parecia estas aqui
mas o sonho ficou medonho
apareceram monstros
todos querendo me destruir,
eu olhava em volta e já não via você
acordei morrendo
de medo e de solidão,
mas quando abri meus olhos
você já estava ao meu lado
apertei tuas mãos, provei teu abraço,
senti o vazio de tua boca
e acendi um cigarro...
Não pude explicar,
você não iria entender
foi que ontem eu tive um sonho
onde eu perdia você.
Fernanda Abreu Lopes Paim

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

' A corrente••

"Sente raiva do passado
que o mantém acorrentado.
Sente raiva da corrente
a puxá-lo para a frente
e fazer do seu futuro
o retorno ao chão escuro
onde jaz envilhecida
certa promessa de vida
de onde brotam cogumelos
venerosos, amarelos,
e encaracoladas lesmas
deglutindo-se a si mesmas."
(Carlos Drummond de Andrade)

PequenO pOema :


" Alguma coisa acontece
em nossas bocas úmidas
eu sol (via).
Como uma gota de sereno,
inundando o lado secreto
da grama.
A paixão sempre acontece
pelo objeto errado.
Inda quero repousar
meu sorriso
em sua boca.
Vem nessa espera,
que espero a hora
de não mais esperar.
Em maio, a gente se casa
com as flores de setembro;
outubro a gente briga
com os raios de dezembro;
fevereiro se divorcia na praça. "

Súplica (Florbela Espanca)

"Olha pra mim, amor, olha pra mim;
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.
O meu colo é arrninho imaculado
Duma brancura casta que entontece;
Tua linda cabeça loira e bela
Deita em meu colo, deita e adormece!
Tenho um manto real de negras trevas
Feito de fios brilhantes d`astros belos
Pisa o manto real de negras trevas
Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!
Os meus braços são brancos como o linho
Quando os cerro de leve, docemente...
Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te
Nessa cadeia assim etemamente! ...
Vem para mim,amor...Ai não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!...
"

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